Há pessoas que vivem para si e para seus próximos. Algumas sequer passam por nossas vidas, outras, chegam-nos graciosamente e se perpetuam em nossos corações por suas atitudes amigas, altivas e desinteressadas. Adotam-nos pelo que somos e, não, pelo que temos.
Uma dessas pessoas chama-se AFFONSO GUTEMBERG DA COSTA, o Afonsão.
Ontem, 20.02.2011, recebi notícia de que ele se encontrava hospitalizado, em estado grave, num hospital em Vitória-ES. Há anos ele vem convivendo com o diabetes e sofrendo suas graves conseqüências, porém, NUNCA perdendo seu bom humor e simpatia. Afonsão é um indivíduo carismático!
Tão logo eu soube do seu estado de saúde, liguei para nosso amigo comum, Geraldo Antonio Ferreira, lá de Água Boa, no Vale do Rio Doce, para passar-lhe as más novas sobre o Afonsão.
Geraldo é engenheiro agrônomo, fomos companheiros de república em Resplendor, e, após minha mudança de lá, Geraldo tornou-se inquilino do Afonsão, por locação da casa de Da. Djanira (mãe do Afonsão) e relatou-me o que agora transcrevo.
Houve uma época em que a Emater-MG – esvaziada, desprestigiada, desestruturada, vilipendiada e desqualificada pelo governador Newton Cardoso – entrou em greve. O Esloc (Escritorio Local) Resplendor aderiu em peso ao movimento. No cabo-de-guerra Estado e servidores, o mais forte não negociou, foi intransigente, reteve salários, além de outras pressões mais, levando aos servidores a perspectiva de uma situação de penúria.
Afonsão vai até o armazém do João Toledo de Lima e autoriza, sob sua inteira e total responsabilidade, o fornecimento de gêneros alimentícios aos funcionários da Emater, enquanto durasse o, JUSTO, movimento grevista ...e assim foi feito!
Num segundo momento dirige-se até a casa do Geraldo, e, a este, comunica:
“- Geraldo, estou aqui para reajustar o valor do aluguel desta casa.”
Com a situação financeira debilitada, custando manter suas contas e compromissos em dia, Geraldo sentiu um frio na espinha e chegou a pensar:
“- Que amigo da onça! Sabendo do aperto que os servidores da Emater e eu estamos passando, me chega para aumentar o aluguel numa hora dessa.”
Sente-se Afonsão, vamos conversar sobre o assunto. Prá quanto vai o aluguel? Indaga Geraldo.
“- Bem, como você está me pagando R$ 400,00, a partir de hoje, o aluguel será de R$ 10,00.”
Geraldo, sem entender bem, responde: “Tá, então vai para R$ 410,00, não é?”
Não! ...responde Afonsão, o aluguel passa a ser de R$ 10,00, durante o período de locação.
Os olhos do Geraldo lacrimejaram! “...É, aqueles têm amigos como Afonsão são abençoados pelos Céus, constatou Geraldo, dando um forte e agradecido abraço no AMIGÃO.”
Edson Gomes Santos – Ribeirão Preto-SP - 2011