Dilermando Araújo, miraiense, crooner de conjunto musical, filho de Da. Glória, professor de português, biriteiro, “É” fã incondicional de Altemar Dutra, porisso, também, “Sentimental Demais”.
“Altemar Dutra é minha GRANDE PAIXÃO!”, dizia ele. E sua SEGUNDA paixão? Como ele mesmo dizia, era a (então) namorada, Elza Barroca. Parece-me que tal “segundo lugar” nunca trouxe grandes problemas para eles, já que se casaram e constituiram família.
Dilermando e eu morávamos na mesma república, daí eu lembrar-me das “ressacas-monstro” dele, ao desfilar pela casa com as mãos à cabeça, de tanto que ela doía. Fui transferido para Brasília e, tempos depois, Dilermando e família, também. Lá, na sua casa, tive oportunidade de conhecer um primo dele, Nivaldo, instrumentista da Sinfônica de Brasília e componente de um grupo de “chorões”, que de vez em quando faziam uma “roda de choro”, com toques de Miraí (Ataulfo Alves), na casa do Dilê. Sinto não ter gravado tais saraus. Hoje seriam preciosa história.
Havia em Brasília a famosa Churrascaria do Lago, situada lá pelos lados do Palácio da Alvorada e às margens do Lago Paranoá. Quase toda semana havia apresentação de cantores de projeção nacional e dos mais variados estilos musicais. Lá ouvi Nelson Gonçalves, Leni Andrade, Claudete Soares, e, ALTEMAR DUTRA. Sim, Altemar Dutra e sob o “jugo” do “apaixonado” Dilermando, que me “convocou” para fotografar o precioso momento. Também a “convite” do Dilê, foi o colega Darcy Affonso, mineiro de Aimorés, portanto conterrâneo de Altemar Dutra e amigo de um compadre e padrinho deste, Sr. Joaquim, residente em Resplendor.
Entra Altemar, e o Dilê entra no estado “alfa”. Palmas, assobios, claque e claquete em profusão. Sim, a churrascaria estava plena de “sentimentais” e, para eles, Altemar começa a cantar. ...E canta. ...E canta. E dá uma pausa para descanso e interação com a platéia. Começa a contar sua história de vida; a infância pobre em Aimorés; a luta para se firmar como cantor; o sucesso e reconhecimento pelo público; até que o Darcy, pondo-se de pés, grita:
“ALTEMAR, O COMPADRE JOAQUIM, LÁ DE RESPLENDOR, TE MANDA UM ABRAÇO E A PESSOA QUE TROUXE O ABRAÇO ESTÁ AQUI”, grita Darcy, apontando o dedo para o Dilermando.
Ato contínuo Altemar explica quem é o compadre Joaquim, e, de braços abertos e para surpresa de todos, se dirige à nossa mesa para “receber o abraço que o Dilermando trouxera para ele.” E Dilê, emocionado como nunca e frisando bem, transmite, primeiro, o “SEU” abraço ao seu ídolo. Em seguida, “entrega” o abraço do compadre Joaquim, também com muito fervor e admiração. ...E tudo foi fotografado por mim: abraços, aplausos, choros, “vivas” e tudo mais.
Dia seguinte, domingo, meu colega de apartamento, César Augusto Gonçalves, gaúcho Palmeira das Missões, vai para a fazenda do irmão dele, ministro do STJ Fernando Gonçalves. Pede e eu empresto a câmara fotográfica, alertando para fato de haver somente mais seis exposições. Inexperiente, ao terminar as exposições,César força a alavanca de avanço e o filme solta do carretel.
Ao abrir a máquina para inserir filme virgem, a claridade velou TODO O FILME DO ALTEMAR!
...Como relatar isso ao Dilermando? ...Mas, relatei e senti – tal qual sinto agora – a tristeza em seu olhar, ante a perda das fotos, infelizmente, irrecuperáveis. Restam-nos somente as “fotos” que guardamos em nossas memórias – minha e dele – pois o Darcy já é falecido. Registro, nesta oportunidade, as lembranças daqueles lindos momentos, para que, sem fotos, sejam perpetuados em letras.
Edson Gomes Santos – Divinópolis-MG - 2011