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Atualizado em 14/06/12 - 10h40
 
Armando Sergio Mercadante
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Armando Sergio Mercadante  
 

No dia sete de outubro será realizada a grande festa da democracia com o povo exercendo o seu direito de escolher seus candidatos através do voto direto e secreto. Nossa história política é conturbada e marcada por crises, rompimentos, lutas, prisões e torturas. O voto direto foi uma conquista com muita luta e derramamento de sangue. Nossa experiência democrática ainda não completou 50 anos. Mas aos poucos nossa democracia e instituições políticas estão amadurecendo. A cassação do mandato de políticos corruptos e a Lei da Ficha Limpa são bons exemplos. Os escândalos envolvendo os Três Poderes não podem ser motivos para o desinteresse pela política. Sobre o assunto Bertolf Brecht em seu poema O analfabeto político foi brilhante: “O pior analfabeto é o/ analfabeto político. Ele não ouve,/ não fala, nem participa dos/ acontecimentos políticos./ Ele não sabe que o custo de vida,/ o preço do feijão, do peixe,/ da farinha, do aluguel,/ do sapato e do remédio,/ dependem das decisões políticas./ O analfabeto político/ é tão burro que se orgulha e/ estufa o peito dizendo/ que odeia a política./ Não sabe o imbecil que/ da sua ignorância política/ nasce a prostituta,/ o menor abandonado,/ e o pior de todos os bandidos/ que é o político vigarista,/ pilantra, o corrupto/ e lacaio dos exploradores do povo”.

Nosso povo não pode acreditar em falsas generalizações como “todo político rouba”, “todo político é desonesto”, “o brasileiro não sabe votar”, “a Lei da Ficha Limpa é para inglês ver”. São generalizações que atendem aos interesses de grupos conservadores que não querem mudanças que coloquem em risco seus privilégios e que apostam todas as fichas na desmoralização do regime democrático, aplaudem os casos de corrupção envolvendo os Três Poderes e defendem a volta de práticas que povoaram nossa história política e que serviram para garantir suas regalias e privilégios com o sacrifício dos menos favorecidos. É colocar em cheque e desmoralizar nossas instituições políticas na medida em que se põe num mesmo saco o bom e o ruim. A verdade é que existem políticos sérios, honestos e comprometidos com o bem estar do povo e que não podem ser desacreditados. A nova roupagem da Inquisição é a “fogueira” da desmoralização pública de inocentes que incomodam os interesses de grupos privilegiados ao defenderem uma democracia madura, a ética na política e o bem comum. Difundir a idéia de que o brasileiro não sabe votar é ignorar os últimos resultados eleitorais que demonstraram um aumento de consciência política do nosso povo. Se a nossa economia continua estável, enquanto a Europa vive uma crise econômica séria, é porque o brasileiro soube escolher seus governantes.  Infelizmente ainda existem pessoas que vendem seu voto em troca de favores. É o preço que pagamos pela democracia que está fundamentada no princípio da liberdade embora, sem sobras de dúvidas, é o melhor regime político.  As generalizações acima estão a serviço do conservadorismo e da ditadura que são grandes inimigos das instituições democráticas.

Durante a campanha política deste ano devemos analisar com cuidado as propostas apresentadas no palanque e nos meios de comunicação, a história política dos candidatos e se têm um plano de governo ou de exercício da vereança elaborado em cima das necessidades e potencialidades do município e que atende aos anseios da comunidade.

Temos dois tipos básicos de ação política. A de interesse público que se caracteriza pelo uso do poder para alcançar o bem comum da maioria do povo e a de interesse particular, que se caracteriza pelo uso do poder em benefício de pessoas ou grupos privilegiados, desprezando-se o bem comum que é a soma das condições concretas que permitem aos membros de uma sociedade alcançar um padrão de vida civilizado, compatível com a dignidade da pessoa humana. Que o eleitor faça a sua escolha separando o joio do trigo elegendo os candidatos comprometidos com o bem comum.

 

 
     

 
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