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Desejo, necessidade, vontade...
Atualizado em 07/07/12 - 18h52
 
Maria Regina Canhos Vicentin
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Maria Regina Canhos Vicentin  
 

Desejo, necessidade, vontade... Assim termina uma canção do grupo musical Titãs. Ela diz que a gente não quer só comida, mas também diversão e arte. Que a gente não quer só comer, mas também fazer amor; ter prazer pra aliviar a dor. Que a gente não quer só dinheiro, mas também felicidade. Que a gente quer inteiro e não pela metade. Certamente, o objetivo da canção é criticar a política assistencialista, e muito poderia ser dito a esse respeito, mas não creio que eu seja a pessoa indicada para fazer isso. De política, entendo pouco. Porém; de ser humano, entendo mais. Entendo o desejo, a necessidade e a vontade...

As pessoas, na sua grande maioria senão em sua totalidade, necessitam de prazer para suportar os revezes da vida. Revestido de muitas formas, talvez o prazer mais fácil de ser alcançado por todos indistintamente seja o físico; obtido através da comida, da bebida, do sexo, da prática esportiva... Penso que não há quem deseje viver se, na vida, não encontrar algum prazer. Mesmo aqueles que se privam voluntariamente de alguns deles, fazem-no por objetivar um prazer maior, quiçá mais sublime e elevado. Talvez, por isso mesmo, Deus tenha se encarregado de fazer o nosso corpo como um grande processador de sensações.

Percebemos algumas sensações como boas e outras como ruins. Em geral, tudo que é escasso ou excessivo, torna-se ruim. É por isso que, atualmente, as pessoas correm desesperadamente atrás do prazer e não se satisfazem. Pois, ou se restringem ao máximo com medo de pecar ou se lançam freneticamente na busca do prazer ilimitado. Não existe prazer ilimitado porque, na sua máxima expressão, o prazer se transforma em desprazer. Quem muito quer acaba amargando a dor e a decepção, pois o ser humano é limitado em todas as suas expressões, por mais genial que pareça, às vezes. A finitude da vida corpórea é uma prova de que o prazer das sensações físicas tende a acabar.

Diante dessa realidade, o que podemos fazer para extrair o maior prazer possível desta vida? A resposta é simples e objetiva. Basta buscarmos o equilíbrio. A privação completa descaracteriza a humanidade da pessoa que deseja transcender à matéria, crivando-a de sofrimentos atrozes e desnecessários, já que o Criador nos fez abertos e receptivos às sensações prazerosas. Na mesma linha, só que em sentido oposto, o excesso na busca de prazeres intensos, também acaba por aumentar o nível de sofrimento e estresse, gerando insegurança, medo e morte.

Desejo, necessidade, vontade... De comer quando se tem fome, de beber quando se tem sede, de viver com equilíbrio; usando o bom senso ao se relacionar sexualmente, gastar, exercitar-se, meditar ou transcender. Fazendo assim, vamos ter muito mais prazer na vida, sem excessos ou privações, apenas usufruindo das características com as quais Deus nos presenteou ao nos criar. Certamente seremos mais felizes assim, com equilíbrio.

Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é escritora.
Acesse e divulgue o site da autora:
www.mariaregina.com.br.  

 

 
     

 
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