Quando o homem pisou na lua em 20 de julho
de 1969, o colunista do Jornal do Brasil José Carlos de Oliveira foi brilhante
ao afirmar “a distância que separa o homem da lua é muito menor do que a distância
que separa o pão da boca de uma criança faminta”. Os humanistas afirmam que a
ciência tem que ter a medida do homem. A ciência foi feita para o homem e não o
contrário. Um cientista, pena que não me lembre o nome, afirmou que a função da
ciência “é fazer o homem feliz”. É bom enfatizar: todos os homens.
Quem se beneficia dos avanços tecnológicos
e científicos, infelizmente, é uma pequena parcela da população. O cruel é que
pobre morrendo de fome não vende jornal. Já empresário poderoso assassinado
vende. Precisamos mudar nossos conceitos de moral. Uma vez meu professor de
Filosofia perguntou: o que é mais imoral um homem andando nu pelas ruas ou um
homem passando fome? Não obteve resposta. O silencio foi geral. Nossa moral usa
dois parâmetros: sexo e violência. Pornografia é imoral enquanto que o patrão
que explora seu empregado não é imoral. Imoral é tudo aquilo que agride a
dignidade do ser humano. A dignidade é inerente a natureza humana
independente de cor, raça, posição social,
religião e situação econômica. Para explorar o universo basta construir
instrumentos, sondas e naves poderosas, o que não faltam recursos. Por outro
lado, extinguir a fome implica em reforma social e tributária que possibilitem
uma distribuição de renda e que desagradam os interesses de uma parcela da
nossa população. Utopia? São as utopias
que movem o mundo.
Como as eleições municipais estão chegando considero
importante que os candidatos leiam com o coração aberto a citação de José
Carlos de Oliveira acima. Que incluam nos seus programas medidas comprometidas
com o bem comum e (é só não confundir as competências federal, estadual e
municipal) incluam projetos que ajudem a diminuir a distância do pedaço de pão
da boca da criança faminta.
Infelizmente, no Brasil uma grande parcela
da população sofre as dificuldades agudas da fome, da falta de moradia, do
salário miserável, do desamparo à educação, à saúde pública, dentre outras
mazelas.Mudar esse quadro de miséria e subdesenvolvimento implica na realização
de políticas voltadas para o bem comum. Políticas que permitam a construção de
uma sociedade mais justa, onde a maioria do povo brasileiro possa usufruir dos beneficios
do desenvolvimento que ele mesmo ajudou a realizar.