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REFLETINDO SOBRE O CONCEITO DE IMORAL
Atualizado em 12/07/12 - 07h34
 
Armando Sergio Mercadante
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Armando Sergio Mercadante  
 

Quando o homem pisou na lua em 20 de julho de 1969, o colunista do Jornal do Brasil José Carlos de Oliveira foi brilhante ao afirmar “a distância que separa o homem da lua é muito menor do que a distância que separa o pão da boca de uma criança faminta”. Os humanistas afirmam que a ciência tem que ter a medida do homem. A ciência foi feita para o homem e não o contrário. Um cientista, pena que não me lembre o nome, afirmou que a função da ciência “é fazer o homem feliz”. É bom enfatizar: todos os homens.

Quem se beneficia dos avanços tecnológicos e científicos, infelizmente, é uma pequena parcela da população. O cruel é que pobre morrendo de fome não vende jornal. Já empresário poderoso assassinado vende. Precisamos mudar nossos conceitos de moral. Uma vez meu professor de Filosofia perguntou: o que é mais imoral um homem andando nu pelas ruas ou um homem passando fome? Não obteve resposta. O silencio foi geral. Nossa moral usa dois parâmetros: sexo e violência. Pornografia é imoral enquanto que o patrão que explora seu empregado não é imoral. Imoral é tudo aquilo que agride a dignidade do ser humano. A dignidade é inerente a natureza humana

 independente de cor, raça, posição social, religião e situação econômica. Para explorar o universo basta construir instrumentos, sondas e naves poderosas, o que não faltam recursos. Por outro lado, extinguir a fome implica em reforma social e tributária que possibilitem uma distribuição de renda e que desagradam os interesses de uma parcela da nossa população.  Utopia? São as utopias que movem o mundo.

Como as eleições municipais estão chegando considero importante que os candidatos leiam com o coração aberto a citação de José Carlos de Oliveira acima. Que incluam nos seus programas medidas comprometidas com o bem comum e (é só não confundir as competências federal, estadual e municipal) incluam projetos que ajudem a diminuir a distância do pedaço de pão da boca da criança faminta.   

Infelizmente, no Brasil uma grande parcela da população sofre as dificuldades agudas da fome, da falta de moradia, do salário miserável, do desamparo à educação, à saúde pública, dentre outras mazelas.Mudar esse quadro de miséria e subdesenvolvimento implica na realização de políticas voltadas para o bem comum. Políticas que permitam a construção de uma sociedade mais justa, onde a maioria do povo brasileiro possa usufruir dos beneficios do desenvolvimento que ele mesmo ajudou a realizar.

 

 
     

 
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