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LÓGICA: a arte de bem pensar
Atualizado em 07/08/12 - 09h12
 
Armando Sergio Mercadante
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Armando Sergio Mercadante  
 

 “Por trás de cada fato há sempre uma idéia e, apoiando todo pensamento, há sempre uma lógica. A Lógica desagrada ao gosto de muitos, afigurando-se-lhes como uma rede de sutilezas espinhosas, mas se quisermos dar o justo valor a cada coisa, reconheceremos que esta Ciência racional é a chave do resto...” (Macaulay)

Meus alunos de Lógica do Colégio João XXIII em Recreio, devem lembrar-se do clássico silogismo Aristotélico: Todo homem é mortal./ Ora, Pedro é homem./ Logo, Pedro é mortal.

Desde a Grécia Antiga que filosofar significava buscar a sabedoria através do uso metódico da razão. Aos filósofos interessava a formulação de raciocínios que chegassem a resultados verdadeiros e não falsos. Para alcançar esse objetivo, diversos pensadores lançaram-se na tarefa de analisar as estruturas dos raciocínios, organizando-as e classificando-as. Foi assim que nasceu a Lógica.

Para Aristóteles, a Lógica era o caminho mais seguro para encontrar e demonstrar a verdade. Em sua época, a filosofia estava envolvida com as seguintes questões: o que é a verdade (alethéia)? Como encontrá-la? E como demonstrá-la?

Existem algumas curiosidades interessantes no campo da Lógica Uma delas é o sofisma, que é um silogismo falso. Vejamos alguns exemplos.

Se tudo o que é raro é caro. E se um Gol zero km por R$ 1,00 é raro. Logo, é caro. Outro exemplo: Tudo o que tem pernas anda. A cadeira tem pernas. Logo, a cadeira anda. Tudo o que tem asas voa. A xícara tem asas. Logo, a xícara voa.

Quanto à forma os raciocínios acima estão corretos, embora as conclusões são falsas porque as premissas não são verdadeiras. O certo seria afirmar: nem tudo o que é raro é caro, nem tudo que tem pernas anda, nem tudo que tem asas voa.

Vejamos outro exemplo. Todos os gatos perfeitos possuem quatro patas. Lulu possui quatro patas. Logo, Lulu é um gato perfeito. Este argumento é um sofisma, pois, da afirmação Todos os gatos perfeitos possuem quatro patas, não é válido concluir que Lulu é um gato perfeito pelo fato de Lulu possuir quatro patas. Em outras palavras, a premissa desse argumento não oferece justificativa lógica para validar sua conclusão.

Hoje ainda é muito comum o uso inadequado de generalizações, o que nada mais são do que confundir a parte com o todo. Exemplo: todo político é corrupto, todo prefeito rouba, não existe político honesto, os homens não prestam e assim por diante. São generalizações, que em alguns casos, acabam determinando atitudes. O holocausto dos judeus teve também sua origem numa generalização de Hitler.

Outra forma de generalização é o senso comum que consiste em uma série de crenças admitidas por um determinado grupo social e que seus membros acreditam serem compartilhadas por todos os homens. Exemplo: Homem que é homem não chora. Lugar de mulher é na cozinha. O brasileiro é um povo pacífico. Deus ajuda quem cedo madruga. Querer é poder. Filho de peixe, peixinho é.

Um tipo interessante de raciocínio é o Dilema. Observe o seguinte exemplo:

Um velho professor de Argumentação realiza um acordo com um de seus alunos. O aluno estaria desobrigado de pagar as lições no caso de perder a sua primeira causa. Findo o curso, o estudante não aceitou nenhuma causa. A fim de cobrá-lo, o mestre processou-o. O jovem defendeu-se com este argumento: Ou ganho a causa ou perco. Se ganhar, não precisarei pagar as lições (porque o professor terá perdido a ação de cobrança). Se perder, também não precisarei pagar as lições (em vista do acordo feito com o professor). Logo, não precisarei pagar as lições.

O professor, no entanto rebateu a argumentação deste modo: ou ganho a causa, ou perco. Se ganhar, o aluno precisará pagar-me (porque terei ganhado a ação de cobrança). Se perder, o aluno também precisará pagar-me (porque terá vencido sua primeira causa). Logo, o aluno deverá pagar-me.

Fica aqui um desafio para o leitor com este problema de inferências corretas. Os elementos são os seguintes:

1. Temos cinco casas.

2. O inglês vive na casa vermelha.

3. O brasileiro é o dono do cachorro.

4. Na casa verde se bebe café.

5. O espanhol bebe chá.

6. A casa verde está situada ao lado e à direita (à direita do leitor) da casa cinzenta.

7. O estudante de Psicologia possui macacos.

8. Na casa amarela se estuda Filosofia.

9. Na casa do meio se bebe leite.

10. O norueguês vive na primeira casa.

11. O senhor que estuda Lógica vive na casa vizinha à do homem que tem uma raposa.

12. Na casa vizinha a casa em que se guarda o cavalo, estuda-se Filosofia.

13. O estudante que se dedica a Estudos Sociais bebe suco de laranja.

14. O japonês estuda Metodologia.

15. O norueguês vive na casa ao lado da azul.

Pergunta-se: Quem é que bebe água? E quem é o dono da zebra?

Resposta pelo email armandojf@ig.com.br

 

 
     

 
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