“Por trás de cada fato há sempre uma idéia e,
apoiando todo pensamento, há sempre uma lógica. A Lógica desagrada ao gosto de
muitos, afigurando-se-lhes como uma
rede de sutilezas espinhosas, mas se quisermos dar o justo valor a cada coisa, reconheceremos
que esta Ciência racional é a chave do resto...” (Macaulay)
Meus alunos de Lógica do Colégio João XXIII
em Recreio, devem lembrar-se do clássico silogismo Aristotélico: Todo homem é
mortal./ Ora, Pedro é homem./ Logo, Pedro é mortal.
Desde a Grécia Antiga que filosofar
significava buscar a sabedoria através do uso metódico da razão. Aos filósofos
interessava a formulação de raciocínios que chegassem a resultados verdadeiros
e não falsos. Para alcançar esse objetivo, diversos pensadores lançaram-se na
tarefa de analisar as estruturas dos raciocínios, organizando-as e
classificando-as. Foi assim que nasceu a Lógica.
Para Aristóteles, a Lógica era o caminho
mais seguro para encontrar e demonstrar a verdade. Em sua época, a filosofia
estava envolvida com as seguintes questões: o que é a verdade (alethéia)? Como
encontrá-la? E como demonstrá-la?
Existem algumas curiosidades interessantes
no campo da Lógica Uma delas é o sofisma, que é um silogismo falso. Vejamos
alguns exemplos.
Se
tudo o que é raro é caro. E se um Gol zero km por R$ 1,00 é raro. Logo, é caro.
Outro exemplo: Tudo o que tem pernas anda. A cadeira tem pernas. Logo, a
cadeira anda. Tudo o que tem asas voa. A xícara tem asas. Logo, a xícara voa.
Quanto
à forma os raciocínios acima estão corretos, embora as conclusões são falsas
porque as premissas não são verdadeiras. O certo seria afirmar: nem tudo o que
é raro é caro, nem tudo que tem pernas anda, nem tudo que tem asas voa.
Vejamos
outro exemplo. Todos os gatos perfeitos possuem quatro patas. Lulu possui
quatro patas. Logo, Lulu é um gato perfeito. Este argumento é um sofisma, pois,
da afirmação Todos os gatos perfeitos possuem quatro patas, não é válido
concluir que Lulu é um gato perfeito pelo fato de Lulu possuir quatro patas. Em
outras palavras, a premissa desse argumento não oferece justificativa lógica
para validar sua conclusão.
Hoje
ainda é muito comum o uso inadequado de generalizações, o que nada mais são do
que confundir a parte com o todo. Exemplo: todo político é corrupto, todo
prefeito rouba, não existe político honesto, os homens não prestam e assim por
diante. São generalizações, que em alguns casos, acabam determinando atitudes.
O holocausto dos judeus teve também sua origem numa generalização de Hitler.
Outra
forma de generalização é o senso comum que consiste em uma série de crenças
admitidas por um determinado grupo social e que seus membros acreditam serem
compartilhadas por todos os homens. Exemplo: Homem que é homem não chora. Lugar
de mulher é na cozinha. O brasileiro é um povo pacífico. Deus ajuda quem cedo
madruga. Querer é poder. Filho de peixe, peixinho é.
Um
tipo interessante de raciocínio é o Dilema. Observe o seguinte exemplo:
Um
velho professor de Argumentação realiza um acordo com um de seus alunos. O
aluno estaria desobrigado de pagar as lições no caso de perder a sua primeira
causa. Findo o curso, o estudante não aceitou nenhuma causa. A fim de cobrá-lo,
o mestre processou-o. O jovem defendeu-se com este argumento: Ou ganho a causa
ou perco. Se ganhar, não precisarei pagar as lições (porque o professor terá
perdido a ação de cobrança). Se perder, também não precisarei pagar as lições
(em vista do acordo feito com o professor). Logo, não precisarei pagar as
lições.
O professor, no entanto rebateu a
argumentação deste modo: ou ganho a causa, ou perco. Se ganhar, o aluno
precisará pagar-me (porque terei ganhado a ação de cobrança). Se perder, o
aluno também precisará pagar-me (porque terá vencido sua primeira causa). Logo,
o aluno deverá pagar-me.
Fica
aqui um desafio para o leitor com este problema de inferências corretas.
Os elementos são os seguintes:
1. Temos cinco
casas.
2. O inglês vive na
casa vermelha.
3. O brasileiro é o
dono do cachorro.
4. Na casa verde se
bebe café.
5. O espanhol bebe chá.
6.
A
casa verde está situada ao lado e à direita (à direita do leitor) da casa
cinzenta.
7. O estudante de
Psicologia possui macacos.
8. Na casa amarela
se estuda Filosofia.
9. Na casa do meio
se bebe leite.
10. O norueguês vive
na primeira casa.
11. O senhor que
estuda Lógica vive na casa vizinha à do homem que tem uma raposa.
12. Na casa vizinha
a casa em que se guarda o cavalo, estuda-se Filosofia.
13. O estudante que
se dedica a Estudos Sociais bebe suco de laranja.
14. O japonês estuda
Metodologia.
15. O norueguês vive
na casa ao lado da azul.
Pergunta-se:
Quem é que bebe água? E quem é o dono da zebra?
Resposta pelo email armandojf@ig.com.br