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O grande blefe
Atualizado em 12/08/12 - 12h04
 
Eduardo Fajardo Soares
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Eduardo Fajardo Soares  
 

Quando em 2008, a atual e quase finalizando gestão da Prefeitura de Leopoldina foi eleita em concorrido e efervescente pleito, encarnava, além de protesto da maioria da população contra uma gestão desgastada por um continuísmo e má administração que se isolou da classe média e superior e se refugiou na chamada classe desfavorecida, com promessas e políticas populistas se esquecendo que a classe média, principalmente, é muito majoritariamente constituída classe trabalhadora também. Além do mais, a eleição da atual administração carregou em si toda uma verdadeira esperança, mesmo aos críticos, de no mínimo uma administração mais ativa, planejada, mais aberta à população, mais competente e com menos vícios da anterior.

Particularmente, minha honesta expectativa era de que no quesito planejamento global, a administração não só enfim aplicasse de maneira mais ampla e efetiva o ‘Plano Diretor Participativo’(PDP),       do município, feito pela gestão anterior por exigências legais, através da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, que mobilizou de fato a população e que foi aprovado amplamente pela Câmara Municipal de Leopoldina e por isso tornado Lei Municipal.

Acreditei que ela retomasse suas leis complementares, que por decisão da Prefeitura, ficaram de fora na época, como a Lei do Uso e Ocupação do Solo, Código de Obras e Código de Posturas, mais de meio século defasadas, assim como um Plano Específico de Inventário e Proteção do Patrimônio Arquitetônico Histórico, Natural e Cultural do Município, pois, ao contrário da sua vizinha e progressista Cataguases, a cidade não tinha o seu e por isso, não recebia qualquer verba do Estado, do ICMS Cultural. Sabe-se que a gestão anterior, embora não continuando com a UFMG ,contratou uma empresa da capital, que fez tais leis complementares, mas jamais sendo, como deveria ser, discutido com a população, apresentadas e aprovadas pela Câmara de Vereadores como foi feito o Plano Diretor.

Portanto, era uma justa crença e não meramente pessoal, já que como arquiteto da UFMG, tive a felicidade de como filho da cidade, coordenar tal Plano Diretor e como tal, sonhava com sua complementação e execução de fato. No entanto, foi passando o tempo e nenhum movimento da atual gestão em fazer uma administração mais eficiente e moderna, atuante, muito menos aplicando e retomando seu Plano Diretor ou mesmo tomar conhecimento dos complementares executados veladamente pela gestão anterior.

Até que, em meados do mandato, eclodiu o grande escândalo das propinas nas construções das casas populares executadas ao largo do referido Plano Diretor. Algum tempo depois desse grave evento que se arrastou e criou um inevitável e irrecuperável desgaste do atual Executivo junto à população, fomos então procurados, já entrando na segunda metade da gestão atual, por um secretário do prefeito para saber se a UFMG estava disposta a retomar o Plano Diretor e mais, fazer o Plano de Habitação de Interesse Social-PLHIS, exigência do Governo Federal, que financiava 80% deste para as prefeituras poderem pleitear verbas para casas, digamos, populares, o que profundamente lógico, para evitar exatamente o que aconteceu ou seja, problemas na escolha dos lotes e falta de controle na construção.

Entusiasmado, fiz um contato prévio com minha direção, para verificar as possibilidades e prever no cronograma de trabalhos da extensão universitária e ficamos aguardando. Passou um bom tempo e o contato não foi retomado, mesmo tendo procurado o tal secretário, não encontrado e retomado quando três meses após, num casual encontro durante o carnaval, no Tirisquei, fomos cobrados de resposta e devolvi a cobrança, pois estávamos aguardando o convite formal, princípio básico entre administrações para efetivar o contato e possível contrato de serviços ou convênio.

Esclarecida a questão, foi então combinada uma reunião para quarta-feira da vindoura semana, quando, combinamos uma visita pessoal à cidade, já que a Prefeitura não ventilou hipótese de arcar com a despesa de deslocamento e estadia. Comparecemos à reunião com o prefeito e toda a sua equipe principal, onde foi levantada e discutida toda demanda dos projetos, inclusive sobre o tal inventário do patrimônio histórico, etc.

Após aguardar novamente um bom tempo para formalizar à UFMG uma solicitação de proposta técnica de orçamento do extenso trabalho, os enviamos e novamente ficamos esperando o seu retorno. Passaram-se novamente alguns meses e sem qualquer resposta, até por diplomacia, tentamos contatar o secretário e após algumas tentativas infrutíferas, enviamos mensagem online quando, num primeiro momento, fomos informados que não havia recebido a proposta, para logo em seguida dizer que estava muito caro e que havia conseguido junto à Fundação João Pinheiro/BH proposta muito melhor, ou seja, metade do preço para fazer o PLHIS.

Estranhamos muito, pois meu conhecimento me permitia discordar do preço literalmente aviltado e pelo fato de que o Ministério das Cidades já havia disponibilizado muito mais da metade do preço que era maior do que o cobrado.

Como se diz, “em sociedade tudo se sabe”. Encontrei-me com um técnico da tal ‘Fundação’ num evento na Cidade Administrativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte e manifestei minha estranheza pelo baixíssimo preço, o que foi por ele admitido, pois era o requentamento de uma antiga proposta e que exigiria mais tarde um aditivo. Manifestei então o meu descontentamento e fiquei aguardando o desenrolar do processo, quando, tempos depois, recebi um convite online, horrorizado, para uma semana inteira, o dia inteiro de audiências públicas para discutir tais planos, pois todo processo era conhecido e  o que fizemos, foram  audiências públicas à noite, pois a população que trabalha, em sua maioria, não tem tamanha disponibilidade. Finalizando, o fato é que a UFMG jamais recebeu qualquer comunicação ou agradecimento e depois desse convite não ficamos sabendo do resultado de tal maratona de audiências dos planos, muito menos dos planos da gestão anterior.

Outro fato é que pela imprensa da capital, acompanho que continuam os graves problemas com a questão da habitação popular, a cidade está abandonada onde o retrato emblemático é o desleixo com que é tratado seu principal patrimônio cultural que é Piacatuba, motivo principal da mais badalada festa atualmente da região. Mas, isso é conversa para outro momento onde poderemos dissecar mais um motivo desse grande blefe que se tornou a eleição da atual gestão. Só esperamos que não caiamos num novo blefe e por pessoas já muito conhecidas e testadas pela cidade.

 

 

 
     


comentários
 
JOÃO - LEOPOLDINA/MG [12/08/12 - 12h21]
Em minha opinião, a atual gestão é um bando de aventureiros amadores que gostam somente de holofotes.

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JOSÉ CARLINHOS - LEOPOLDINA/MG [12/08/12 - 16h52]
Embora mereça os cumprimentos pela coragem do desabafo, ficou devendo o nome do secretário.

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MARIA DO CARMO - LEOPOLDINA MG/MG [12/08/12 - 17h37]
A politica e a arte do blefe, em Leopoldina blefar virou moda e o pior que o povo acredita em conto de fadas...O que mais me entristece e ver a cidade cada dia mais pobre e com mais problemas sem solução...E FISCALIZAÇÃO??? NADA...

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PLINIO ALVIM - ALÉM PARAÍBA/MG [12/08/12 - 19h45]
Edu, já há alguns anos, tenho em meus arquivos o Pl. Diretor de Leopoldina que você coordenou (é brilhante) e a Lei Municipal que o criou. E fiz uso deles quando participei das discussões relativas à Revisão do Pl. Diretor daqui, em 2011. O daqui também está 'emperrado' - mas, alguns de seus princípios e orientações estão sendo usados como 'plano de UM governo' e não como 'plano que deveria passar por VÁRIOS governos'. Além Paraíba precisa ser 'reconstruída' - literalmente Muito mais do que um desabafo seu artigo nos revela uma 'fotografia' da triste realidade política brasileira, que esmaga sonhos e ideais que, fundamentados em bases técnicas e criados com a participação popular, transformariam sonhadores e idealistas em realizadores de projetos factíveis - os quais seriam capazes de transformar e desenvolver um lugar, um povo, uma nação. Eu estava 'surfando' pela Internet e lembrei-me que, de certa forma, o poema 'Versos íntimos", do 'nosso' Augusto dos Anjos, tangencia esta questão, sob a ótica do interesse e da vontade política (ou falta de) e da relação entre governantes e governados; muito embora eu acredite que o próprio Augusto não tenha se dado conta disto e nem o tenha escrito com esta intenção. Lendo, agora, o seu texto e já tendo lido o da Maria do Carmo, penso que os três se complementariam. Abraço grande. Plinio Fajardo Alvim.

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MARIA DO CARMO - LEOPOLDINA MG/MG [13/08/12 - 06h20]
Só merecemos o que podemos viver sem, mas não agüentamos mais blefes!!! Neste meu ainda curto período lidando com política, confirmei um velho mandamento absorvido pelos mais experientes. Confirmei que não basta a uma pessoa ter o projeto pessoal de ser candidato a cargo de vereador em Atenas. É necessário, antes, que os outros queiram por ela. Queiram alguém disposto a fiscalizar,legislar, agir e fazer a diferença... Digo também, sem medo de errar, que as pessoas só merecem aquilo a que podem renunciar. Quem fica escravo do próprio desejo, sem entender o movimento coletivo, sucumbe ao próprio ímpeto. Não ocorre só assim na política. São ensinamentos que valem para várias situações na vida. Já passou da hora de começar-mos a discutir políticas que ultrapassem o Governo do prefeito X ou Y e dos vereadores X ou Y. Temos que começar a ter um plano de longo prazo que não se curve aos interesses econômicos e políticos de terceiros. A cidade hoje esta em uma posição desfavorável em vários aspectos, e o blefe tem sido uns de seus maiores vilões...

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LUCIANO BAÍA MENEGHITE - LEOPOLDINENSE/MG [13/08/12 - 12h26]
Infelizmente a grande maioria da população não tem a menor idéia do que seja o Plano Diretor, daí não haver cobrança maior ao poder público. Se perguntarmos aos mais de 200 candidatos a vereador sobre o assunto, não deve chegar a um quarto o número dos que sabem do que se trata.

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ROBERTO FREIRE - NOVA LIMA/MG [15/08/12 - 13h16]
É lamentável tudo isso que vem ocorrendo com a nossa cidade.Tenho colegas empresários que tento atrair para fazer investimentos em Leopoldina e não se interessam,seja na área de urbanismo e/ou industrial,alegam que a prefeitura demora aprovar loteamentos ,não assumem nada ficam empurrando e muitos que ainda teimam tem recorrer a outros orgãos de instância estadual,ou seja não definem nem o óbvio previstos pelas leis municipal,estadual e federal fica no jogo de empurra empurra.Em Leopoldina foi desenvolvido um projeto somma e não colocaram em prática o que foi desenvolvido como projeto do transito,levantamento das áreas de riscos,levantamento dos imóveis que deveriam serem tombados pelo patrimônio histórico,implantação do atêrro sanitário.Devriam sim fazer uma grande pista de patinação para determinados gestores públicos,pois eles são os responsáveis por fazer nossa cidade não sair do lugar e ficar patinando sem conseguir a ir a lugar algum.Meus caros sem um planejamento sem um plano diretor não temos diretriz a ser seguida aí como vamos atrair investidores empresários bem intencionados em investir em nossa cidade.Assim não é posível.Resumindo é muita incompetência entorno de projetos de vaidades pessoal para pessoas que necessitam e não vivem sem se promoverem mesmo que isso custe o não desenvolvimento de nossa cidade em termos sociais,industrial e economico

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77 voto(s) negativo(s)
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HUDSON RODRIGUES DE JESUS - LEOPOLDINA/MG [19/08/12 - 17h19]
Ajudaria se os secretários municipais fossem profissionais das suas áreas com a devida experiência e uma relevante lista de serviços prestados à população. Enquanto for a bandaiada incompetente...

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