Quando
em 2008, a atual e quase finalizando gestão da Prefeitura de Leopoldina foi
eleita em concorrido e efervescente pleito, encarnava, além de protesto da
maioria da população contra uma gestão desgastada por um continuísmo e má
administração que se isolou da classe média e superior e se refugiou na chamada
classe desfavorecida, com promessas e políticas populistas se esquecendo que a
classe média, principalmente, é muito majoritariamente constituída classe
trabalhadora também. Além do mais, a eleição da atual administração carregou em
si toda uma verdadeira esperança, mesmo aos críticos, de no mínimo uma
administração mais ativa, planejada, mais aberta à população, mais competente e
com menos vícios da anterior.
Particularmente,
minha honesta expectativa era de que no quesito planejamento global, a
administração não só enfim aplicasse de maneira mais ampla e efetiva o ‘Plano
Diretor Participativo’(PDP), do
município, feito pela gestão anterior por exigências legais, através da
Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, que mobilizou de fato a população
e que foi aprovado amplamente pela Câmara Municipal de Leopoldina e por isso tornado
Lei Municipal.
Acreditei
que ela retomasse suas leis complementares, que por decisão da Prefeitura,
ficaram de fora na época, como a Lei do Uso e Ocupação do Solo, Código de Obras
e Código de Posturas, mais de meio século defasadas, assim como um Plano
Específico de Inventário e Proteção do Patrimônio Arquitetônico Histórico,
Natural e Cultural do Município, pois, ao contrário da sua vizinha e
progressista Cataguases, a cidade não tinha o seu e por isso, não recebia
qualquer verba do Estado, do ICMS Cultural. Sabe-se que a gestão anterior,
embora não continuando com a UFMG ,contratou uma empresa da capital, que fez
tais leis complementares, mas jamais sendo, como deveria ser, discutido com a
população, apresentadas e aprovadas pela Câmara de Vereadores como foi feito o
Plano Diretor.
Portanto,
era uma justa crença e não meramente pessoal, já que como arquiteto da UFMG,
tive a felicidade de como filho da cidade, coordenar tal Plano Diretor e como
tal, sonhava com sua complementação e execução de fato. No entanto, foi
passando o tempo e nenhum movimento da atual gestão em fazer uma administração
mais eficiente e moderna, atuante, muito menos aplicando e retomando seu Plano
Diretor ou mesmo tomar conhecimento dos complementares executados veladamente
pela gestão anterior.
Até
que, em meados do mandato, eclodiu o grande escândalo das propinas nas
construções das casas populares executadas ao largo do referido Plano Diretor.
Algum tempo depois desse grave evento que se arrastou e criou um inevitável e
irrecuperável desgaste do atual Executivo junto à população, fomos então
procurados, já entrando na segunda metade da gestão atual, por um secretário do
prefeito para saber se a UFMG estava disposta a retomar o Plano Diretor e mais,
fazer o Plano de Habitação de Interesse Social-PLHIS, exigência do Governo
Federal, que financiava 80% deste para as prefeituras poderem pleitear verbas
para casas, digamos, populares, o que profundamente lógico, para evitar
exatamente o que aconteceu ou seja, problemas na escolha dos lotes e falta de
controle na construção.
Entusiasmado,
fiz um contato prévio com minha direção, para verificar as possibilidades e
prever no cronograma de trabalhos da extensão universitária e ficamos
aguardando. Passou um bom tempo e o contato não foi retomado, mesmo tendo
procurado o tal secretário, não encontrado e retomado quando três meses após,
num casual encontro durante o carnaval, no Tirisquei, fomos cobrados de
resposta e devolvi a cobrança, pois estávamos aguardando o convite formal,
princípio básico entre administrações para efetivar o contato e possível
contrato de serviços ou convênio.
Esclarecida
a questão, foi então combinada uma reunião para quarta-feira da vindoura
semana, quando, combinamos uma visita pessoal à cidade, já que a Prefeitura não
ventilou hipótese de arcar com a despesa de deslocamento e estadia.
Comparecemos à reunião com o prefeito e toda a sua equipe principal, onde foi
levantada e discutida toda demanda dos projetos, inclusive sobre o tal
inventário do patrimônio histórico, etc.
Após
aguardar novamente um bom tempo para formalizar à UFMG uma solicitação de
proposta técnica de orçamento do extenso trabalho, os enviamos e novamente
ficamos esperando o seu retorno. Passaram-se novamente alguns meses e sem
qualquer resposta, até por diplomacia, tentamos contatar o secretário e após
algumas tentativas infrutíferas, enviamos mensagem online quando, num primeiro
momento, fomos informados que não havia recebido a proposta, para logo em
seguida dizer que estava muito caro e que havia conseguido junto à Fundação João
Pinheiro/BH proposta muito melhor, ou seja, metade do preço para fazer o PLHIS.
Estranhamos
muito, pois meu conhecimento me permitia discordar do preço literalmente
aviltado e pelo fato de que o Ministério das Cidades já havia disponibilizado
muito mais da metade do preço que era maior do que o cobrado.
Como
se diz, “em sociedade tudo se sabe”. Encontrei-me com um técnico da tal
‘Fundação’ num evento na Cidade Administrativa de Minas Gerais, em Belo
Horizonte e manifestei minha estranheza pelo baixíssimo preço, o que foi por
ele admitido, pois era o requentamento de uma antiga proposta e que exigiria
mais tarde um aditivo. Manifestei então o meu descontentamento e fiquei
aguardando o desenrolar do processo, quando, tempos depois, recebi um convite
online, horrorizado, para uma semana inteira, o dia inteiro de audiências
públicas para discutir tais planos, pois todo processo era conhecido e o que fizemos, foram audiências públicas à noite, pois a população
que trabalha, em sua maioria, não tem tamanha disponibilidade. Finalizando, o
fato é que a UFMG jamais recebeu qualquer comunicação ou agradecimento e depois
desse convite não ficamos sabendo do resultado de tal maratona de audiências
dos planos, muito menos dos planos da gestão anterior.
Outro
fato é que pela imprensa da capital, acompanho que continuam os graves
problemas com a questão da habitação popular, a cidade está abandonada onde o
retrato emblemático é o desleixo com que é tratado seu principal patrimônio
cultural que é Piacatuba, motivo principal da mais badalada festa atualmente da
região. Mas, isso é conversa para outro momento onde poderemos dissecar mais um
motivo desse grande blefe que se tornou a eleição da atual gestão. Só esperamos
que não caiamos num novo blefe e por pessoas já muito conhecidas e testadas
pela cidade.